
1 João 5:7-8
Em conversa com uma TJ sobre a doutrina da Trindade, é comum a citação de 1 João 5:7-8, que diz, segundo algumas traduções: "Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água e o sangue; e estes três concordam num" (ARC).
De imediato, eles afirmam que as palavras "no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra" não fazem parte dos melhores manuscritos. Para isso - no caso dos católicos -, remetem o leitor para uma nota ao pé da página de A Bíblia de Jerusalém, que afirma estar essa passagem ausente dos manuscritos gregos mais antigos, nas antigas versões e nos melhores manuscritos da Vulgata. Para alguns evangélicos, citam a obra A Bíblia explicada, de S. E. McNair, publicada em 1985 pela Casa Publicadora das Assembléias de Deus (p. 489), segundo a qual afirma que a passagem bíblica em apreço deve ser omitida por não se encontrar nos melhores manuscritos. (Livro Raciocínio à base das Escrituras, p. 415).
Os Tj, ensinados por sua organização, afirmam que esses versículos "foram acresentados por alguém que estava tentando dar apoio ao ensino da Trindade"; conseqüentemente, "esses palavras não fazem realmente parte da Palavra de Deus". (Livro Poderá viver para sempre no paraíso na terra, ed. de 1983, p. 53).
Tem havido muita controvérsia com respeito ao fato de esses palavras fazerem ou não parte dos manuscritos originais da Bíblia. A maioria dos estudiosos afirma que não fazem. Contudo, há outros que dizem o contrário. Bem, não quero entrar nessa contenda, minha intenção é mostrar que neste caso, a organização TJ mostra-se incoerente. Acompanhe a seguir o raciocínio.
Em sua Tradução do Novo Mundo - com referências, ao comentar 1 João 5:7, a organização TJ indica os manuscritos antigos da Bíblia que omitem as palavras "no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e estes três são um. E três são os que testificam na terra". São os seguintes:
(Álefe) - Códice sinaítico, do século IV d.C.
A - Códice alexandrino, do século V d.C.
B - Manuscrito vaticano 1209, do século IV d.C.
Vg - Vulgata latina, de S. Jerônimo, do século V d.C.
Syh - Versão siríaca filoxeniana-harcleana, dos séculos VI e VII d.C.
Syp - Peshita siríaca, do século V d.C.
Vale ressaltar que os mais antigos são Álefe e B. Mas em que consiste a incoerência da organização TJ, conforme foi mencionado acima? Para rejeitar a fórmula trinitária de 1 João 5:7-8, a organização recorre aos manuscritos mais antigos. Contudo, esses mesmos manuscritos também omitem as passagens de Marcos 16:9-20 e de João 7:53-8:11, que constam na TNM. Ora, os mesmo manuscritos, reputados como mais antigos, que não trazem 1 João 5:7-8, omitem também esses textos. Se a organização fosse coerente, deveria de igual maneira omitir essas duas últimas passagens bíblicas da TNM. Por que não o fez? Porque o conteúdo desses passagens não contraria o corpo doutrinário da organização TJ; o que não se dá, certamente, como 1 João 5:7-8, que ensina a doutrina da Trindade (negada pela organização). Trata-se, portanto, de mera conveniência, não de fidelidade aos manuscritos mais antigos.
A doutrina da Trindade, ao contrário que os TJ pensam, não são 3 deuses, são pessoas distintas, porém um único Deus.
A Paz Seja com Todos!
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